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O convertido de Damasco – 08/03/2017

Paulo de Tarso, o Apóstolo dos gentios, foi conhecido como cooperador fiel de Jesus na sua legítima feição de homem transformado, de um coração extraordinário que se levantou das lutas humanas, para seguir os passos do Mestre num esforço incansável e incessante.

É importante recordar que Paulo recebeu a dádiva da visão gloriosa do Mestre às portas de Damasco e, também, a declaração de Jesus relativa ao sofrimento que o aguardava por amor ao Seu nome.

O meigo Rabi, de sua esfera de claridade imortal, chamou-o, e, assim, Paulo, tateando na treva das experiências humanas, respondeu-Lhe: “Senhor, que queres que eu faça?” Assim começa a grande transformação desse homem que surgia renovado, renovando as suas atitudes e avançando com firmeza pela senda da redenção.

Essa caminhada é longa, árdua… É um duelo interior onde o mal ainda prevalece; é o conflito entre o que desejamos ser e o que realmente somos. Muitas vezes, encontraremos obstáculos, desafios, porém Jesus é claro quanto ao convite do aprimoramento interior: “Ninguém que, tendo posto a mão no arado, olha para trás, é apto para o reino de Deus” (Lucas, 9:62).

Podemos, assim, ir transformando progressivamente imperfeições, fraquezas, sentimentos que necessitam ser trabalhados, pelo despertar das virtudes santificantes. O tempo não importa. O que importa é o esforço que fizermos para alcançar nossa renovação interior, modificando gradativamente nossos sentimentos menos elevados e colocando em seu lugar atributos enobrecidos.

Após sua rendição integral a Jesus, Paulo recolheu-se em meditação no deserto por três anos, pois sabia que muito teria de lutar para não cair, novamente, nos mesmos equívocos, como ele mesmo clamou: “Miserável homem sou, que não faço o bem que quero, mas o mal que não quero!” (Romanos, 7:24). Na sua convicção da realidade espiritual do Cristo, com vontade firme de vencer, Paulo triunfou sobre si mesmo na batalha interior.

É preciso aperfeiçoar-nos, acima de tudo, no modelo de Jesus: sentir, pensar, observar, ouvir, ser e agir com acerto na realização da tarefa que o Mestre nos reservou.

O autoconhecimento é fundamental para este caminho de transformação íntima: O “conhece-te a ti mesmo” é comportamento obrigatório para quem pretende superar-se.

A nossa tomada de consciência dos hábitos morais incoerentes com a Lei de Amor leva-nos a questionamentos e reflexões que, através da dedicação, esforço, disciplina, são primordiais para esse processo de reajuste, que promovem nosso crescimento e nos ajudam a trilhar um novo caminho, uma nova realidade de acordo com o que Deus, nosso Pai, espera de cada um de nós.

Entretanto, quanto mais demorarmos em promover essas modificações em nós, mais tempo ficaremos presos nas mesmas situações que tantas angústias e aflições nos trazem.

Em apoio a essa ideia, encontramos na questão 919-A de O Livro dos Espíritos,Santo Agostinho, um dos orientadores da Codificação espírita realizada por Allan Kardec, esclarecendo-nos que o autoconhecimento é o meio mais prático e eficaz que temos de melhorar e de resistir ao arrastamento do mal. O amigo espiritual, recomenda-nos: “Fazei o que eu fazia quando vivi na Terra, ao fim do dia interrogava a minha consciência, passava em revista o que havia feito e perguntava, a mim mesmo, se não faltava a algum dever, se ninguém tivera motivo para se queixar de mim. Foi assim que cheguei a me conhecer e a ver o que em mim precisava de reforma”.

Trata-se de um autoexame que nos auxilia a explorar o mundo íntimo com ampla liberdade e sinceridade em benefício da nossa própria melhora, não olvidando que a perfeição não é apostolado de um dia e, sim, de milênios, e que cada mente traz consigo as marcas da própria ação de ontem e de hoje, determinando seu cárcere ou sua libertação.

O benfeitor espiritual Emmanuel, através da psicografia de Francisco Cândido Xavier, em Pedro Leopoldo/ MG, na casa do Doutor Rômulo Joviano, na fazenda Modelo, em 08/julho/1941, nos traz algumas considerações a respeito de Paulo de Tarso: “Muitos dizem que Paulo recebeu apelo direto, mas, na verdade, todos nós recebemos uma convocação pessoal ao serviço do Cristo; as formas podem variar, mas a essência ao apelo é sempre a mesma. O convite ao ministério chega às vezes de maneira sutil, inesperadamente, a maioria, porém, resiste ao chamado generoso do Senhor.

Paulo negou-se a si mesmo, arrependeu-se, tomou a cruz e seguiu o Cristo até o fim de suas tarefas materiais. Entre perseguições, zombarias, desilusões, pedradas, açoites e encarceramentos, o apóstolo dos Gentios foi um homem intrépido e sincero, caminhando entre as sombras do mundo, ao encontro do Mestre que se fizera ouvir nas encruzilhadas de sua vida. Entre ele e Jesus havia um abismo que o apóstolo soube transpor em decênios de luta redentora e constante. O convertido não poderia chegar a essa possibilidade em ação isolada no mundo; sem Estêvão, não teríamos Paulo, a vida de ambos estava entrelaçada com misteriosa beleza, confirmando a necessidade e a universalidade da lei de Cooperação. Recordemos que Jesus, cuja misericórdia e poder abrangiam tudo, procurou a companhia de doze auxiliares a fim de empreender a renovação do mundo, e sem cooperação não poderia existir amor, que é a força de Deus que equilibra o Universo”.

Chico Xavier sempre lembrava que: “Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim”.

Deste modo, recordemos que as Leis Divinas ou Naturais estão escritas em nossa consciência, como nos esclarece a questão 621 de O Livro dos Espíritos.Assim, cada um de nós sabe, bem no íntimo, se estamos agindo, ou não, corretamente.

É conveniente também relembrarmos o ensinamento do benfeitor espiritual Emmanuel, pela psicografia de Francisco Cândido Xavier, contida no livro Busca e Acharás, no capítulo Sugestões de Paz: “Quando puderes, como puderes e onde puderes, guardando a consciência tranquila, trabalha sempre servindo. Assim agindo, ainda que não percebas, desde agora, estarás imperturbavelmente nos domínios da paz”.

O Apóstolo Paulo de Tarso, grande missionário, dizia que buscava viver como o próprio Mestre e por isso asseverava: “Já não sou mais eu quem vive, mas o Cristo é que vive em mim; já não sou mais eu quem fala e quem age, mas o Cristo é que age em mim” (Gálatas, 2:20).

Finalizando nossas reflexões, rememoremos que Paulo de Tarso andou em combate, perseguindo cristãos, até o encontro pessoal com o Cristo, quando então passou a viver o bom combate, consigo mesmo, até encontrar novamente, com o Mestre, no final da sua jornada terrena. Até o caminho de Damasco, estivera em função das glórias mundanas, ávido de autoridade transitória, mas, desde o instante em que Ananias, propagador e enviado do Cristo, o recolheu enceguecido e transtornado, entrou em submissão dolorosa; incompreendido, abatido e doente, jamais deixou de servir a causa do bem que abraçara com Jesus.

Ao término da carreira do semeador da verdade, o ex-conselheiro do Sinédrio, aparentemente cansado, abatido e vencido, saiu da Terra na condição de verdadeiro triunfador.

Que o exemplo deste grande convertido, o vaso escolhido por Jesus, se faça mais claro em nossos corações, a fim de que cada discípulo possa entender quanto lhe compete trabalhar e sofrer por amor a Jesus.

Bibliografia:

XAVIER, C. Francisco – Palavras de Vida Eterna – ditado pelo Espírito Emmanuel -35ª edição – Uberaba/ MG – Editora Comunhão Espírita Cristã -2010 – páginas 313 e 338.

PIRES, José Herculano – Revisão do Cristianismo – 3ª edição – São Paulo/SP – Editora Paideia – 1990 – páginas 58 e 60.

Temi Mary Faccio Simionato

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